Moral: teoria x realidade

Como as crianças e os jovens de hoje entendem sobre o que devem fazer ou não, quais são seus direitos, seus deveres, seus limites, até onde podem ir e o que e como podem contribuir para um mundo melhor? Aliás, mundo é muito amplo. ???? Como podem contribuir dentro da própria  casa, em sua família, na escola onde estudam, no bairro onde moram?

Ao falarmos sobre direitos e deveres, podemos conversar um pouco sobre moral, formação do indivíduo, ética, respeito, cidadania… podemos ficar horas conversando sobre o assunto, mas vamos nos ater ao primeiro ponto elencado: moral.

Neste mês, o Distrito Federal aprovou uma lei (LEI Nº 6.122, DE 1º DE MARÇO DE 2018 ) que obriga escolas públicas e privadas a incluir o tema ????????“educação moral e civil” na grade curricular dos ensinos infantil e fundamental. ???????? O conteúdo começará a ser aplicado em julho e poderá ser trabalhado como tema transversal, como educação ambiental, trânsito, além de ser diluído em disciplinas já existentes.

Segundo o governo, o objetivo da proposta é desenvolver um aprendizado nas crianças e nos jovens que vai além de conteúdo formal. É trabalhar o espírito de cidadania, de atuação política, de forma que, desde pequenos, já passem a entender e questionar sobre direitos e deveres que nos quais temos hoje em nosso país e de que fazemos parte.

Mas, obrigatória ou não, como os professores tem trabalhado com essa temática em sala de aula? ✏✏✏ Que abordagens e metodologias tem sido desenvolvidas para se falar de valores, atitudes, de formação do indivíduo? ????Os professores tem se capacitado para isso?  

Implantar a obrigatoriedade de uma disciplina como essa, aos olhos de alguns especialistas pode parecer retrógrado por remeter ao período ditatorial em que ela foi obrigatória também no passado, mas tudo depende da forma como será essa abordagem. É necessário entender que a formação do individuo tem como base a moral e, se hoje estamos em um cenário de violência, de caos, de pouca representação política, isso significa que nosso entendimento sobre nossos limites, nossos deveres e também de nossos direitos está ou baixo ou equivocado ou até mesmo inexistente.

Portanto, parece muito lógico que este tema seja discutido nas escolas, espaço historicamente preparado para este debate. No entanto, há que se ter clareza que este debate não deve ficar restrito ao âmbito escolar devendo fazer parte de outros círculos de convivência já que moral, ou cidadania, como tem mais sido utilizado, se aprende com o exemplo diário, muito mais do que com livros e discussões.

Eis aí o ponto nevrálgico da questão: a compreensão de que todos ensinam o tempo todo.

Todas as atitudes dos adultos são atentamente observadas pelos jovens e pelas crianças que tiram valiosos aprendizados dessa observação.

???? Falar de respeito é uma coisa, demonstrar respeito na prática do dia a dia é outra.

???? Falar de justiça restaurativa e como ela funciona é uma coisa, efetivamente perdoar quem nos magoou e dar uma segunda chance é outra.

???? Falar de direitos humanos é bonito, conviver com o diferente é difícil.

Assim, estamos sendo colocados diante de um novo desafio para o qual penso que não fomos preparados.

Exige-se o cumprimento de uma lei sem dar base e sustentação para o seu cumprimento a contento.

Penso, como opinião particular, que a lei é boa, mas que sem preparação do corpo acadêmico para uma compreensão mais ampla da questão, teremos mais uma lei que não será efetivamente cumprida, e o que é pior, nem compreendida!

 

Texto produzido por: Annemarie Richter e Raquel Jorge – Menthor Desenvolvimento
Foto: Pixabay
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