O conflito que ensina.

Ninguém gosta do conflito.

Ele machuca, tira a gente do prumo, do eixo, faz a gente visitar lugares na alma que queríamos deixar adormecidos.

É… mas não dá pra evitar. Ser humano é ter conflito, mesmo que estejamos sozinhos, vivenciamos conflitos do que disse e não deveria ter dito, da vontade de ficar quando é preciso ir, do sentir o que não gostaria de sentir.

Portanto, ao invés de fingir que ele não existe, a melhor estratégia é encarar de frente e tentar entender porque eles existem.

E sabe por que eles existem? Para nos fazer crescer, aprender, aprimorar… é o conflito que nos leva a ver a mesma situação por outros pontos de vista, a ver o que ainda não tínhamos visto, a reconsiderar e a reenquadrar as situações para buscar a solução dos impasses que a vida nos coloca.

Muito lindo , né? Mas e na sala de aula, na prática, como é que isso funciona? Como deixar de sentir dor no meio de uma aula onde os alunos não te ouvem, não se importam e te desrespeitam o tempo todo?

Em primeiro lugar,  imagine a sala de aula como um palco e ao invés de observar esta cena do palco, vá para a platéia e observe….

Observe os atores, o que dizem, como dizem, tente perceber o que não está sendo dito com palavras,  tente perceber os sentimentos destes atores alunos e deste ator professor… Como eles agem e como reagem? Quem são os atores mais atuantes? Que sentimentos você percebe nas atitudes e na fala deles? Quem são os mais quietos? Por que estão tão quietos?

E o professor? O que ele está sentindo?  Como ele está atuando? Ele está confortável neste papel ou está em sofrimento? O que este professor pode fazer para que o desenrolar desta cena seja diferente? Veja bem, o que o professor poder fazer? Não se trata da escola, da estrutura, dos alunos, como o professor pode atuar de uma forma diferente?

Do jeito que está não dá mais, dói demais.

Quem sabe de outra forma? Outra abordagem? Outra entonação de voz? Outra postura, mais segura, mais confiante do seu valor e do seu mérito?

Quem sabe entendendo que a comunicação possa fluir de outra forma, com outras técnicas, com outras maneiras de passar o conteúdo?

Quem sabe o caminho não seja uma conversa aberta sobre as emoções de cada um, sobre o que aflige, o que incomoda e o que é preciso para que cada um dos atores encare o desafio de uma forma menos ressentida? Lembre-se que as pessoas que estão mais carentes, vão pedir atenção das formas menos amáveis possíveis.

Tarefa árdua, dolorida, né? Ver por outro ponto de vista, imaginar que a atuação pode ter outra entonação, que a história pode ir por outro caminho, que é possível fazer diferente com os mesmos poucos recursos.

Mas trata-se de uma escolha.

Qual é a sua?

 

 

Annemarie Richter

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