Pernas

Por Annemarie Richter

 

A gente passa muito tempo na vida esperando um colo, um abraço e o apoio do outro..

Quantas vezes o telefone não tocou, a mensagem não veio,  o abraço ficou longe e o elogio pelo empenho nunca foi dito?

Daí vem a dor, a tristeza de não se sentir amado… e o que é pior, não ser nem visto…

Mas se a gente olhar essa situação por um outro ponto de vista, a pergunta que não quer calar é:

E você? Você se abraçou? Você se deu colo? Você se amou acima de todas as coisas mesmo quando a vida te fechou esta porta? Você teve paciência com você, aceitando seu erro, sua falha, sua incapacidade?

Muitas vezes esperamos que o outro nos trate de uma forma que nós mesmos não nos tratamos… Esperamos ser acolhidos pelo outro quando estamos nos martirizando…

É preciso ter um tratamento mais acolhedor conosco e criar independência do olhar do outro. Precisamos buscar esse apoio, esse colo em nós mesmos, não numa atitude autocentrada e egocêntrica, mas de acolhimento e amor próprio.

Ter certeza de que estamos fazendo o nosso melhor, buscando a melhoria dentro das condições possíveis, tratando a todos os colegas e alunos com respeito e dignidade já é um grande passo na busca desse suporte interno.

Fazer cada dia melhor, reconhecer a caminhada, não desistir, não se cobrar nem demais nem de menos, ter um plano, uma meta, planejar o futuro, ter uma rotina saudável, hábitos saudáveis, entendendo que o importante é a jornada e não o ponto de chegada.

Saber e sentir isso traz serenidade que transborda para o aluno, ajudando-os no mesmo processo de ser cada dia melhor, sem pressa, entendendo que pra acertar às vezes é preciso errar… na escola e na vida.

Apaixonar-se pelo caminho, pelo desafio, pelo caminhante… é aí que está o apoio e o suporte que tanto buscamos no outro… não na muleta, mas no desenvolvimento das próprias pernas, que te sustentam, te seguram todos os dias e que te levam com firmeza por toda a jornada.

 

Imagem: pixabay

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