Reflexões de fim ano: qual seu melhor acessório para encerrar 2017?

Por Annemarie Richter

Última sexta-feira do ano e parei nesta manhã para fazer algumas reflexões… paro e penso que são mais de vinte anos atuando na área de Responsabilidade Social. Mais que isso, são mais de duas décadas estabelecendo pontes entre pessoas e instituições.  Durante todo esse período, ao ficar imersa nas comunidades no interior do país, percebi que os projetos que são levados e desenvolvidos têm sim sua importância, seu valor, sua necessidade, mas não atingem todos os jovens de uma região. Mobiliza-se uma estrutura complexa para realizar atividades direcionadas para eles, mas com alcance sem escala. Os índices de violência e agressão contra o professor aumentam, o absenteísmo na escola também aumenta e o aprendizado que era para ser adquirido direta ou indiretamente, não ocorre de forma satisfatória.

Pensando nessa situação, como, então, fazer para que esses mesmos jovens sejam impactados por mudanças positivas e uma nova perspectiva seja alcançada? Penso que ninguém mais que o professor para estabelecer essa ponte, criar esse laço e romper esse nó.

Bem, mas como já dizia o filósofo espanhol Ortega y Gasset, a potência intelectual de uma pessoa pode ser medida por sua capacidade de suportar dúvidas. E assim fiquei ao longo de vários meses, questionando uma série de problemas que permeiam a educação, o dia a dia dos professores, a aprendizagem dos jovens, o tempo presente que estamos vivendo e as perspectivas para um futuro não tão distante. E foi nesses momentos de dúvidas, incertezas e questionamentos que cheguei a conclusão de que não adianta ter meu conhecimento  e mantê-lo apenas comigo.

As peças do quebra-cabeça foram se juntando, as pessoas certas foram se aproximando e, enfim, a Menthor surgiu em sua plataforma online para atender em escala, o professor que está em cada canto do país e que vê a necessidade de entender e se preparar para lidar melhor com conflitos educacionais. Sim, a Menthor tem em sua marca uma tocha, um fogo, porque eu e toda a equipe acreditamos que ele é como o conhecimento, quanto mais se divide, mais se multiplica.

E, tratando de conflitos educacionais não falo apenas de mediação escolar. Antes de propor um remédio – práticas de mediação –  penso que é preciso entender primeiro da enfermidade. Por isso a proposta de criatividade na resolução de conflitos educacionais. E essa enfermidade que vejo que o professor está passando hoje, é algo que vai além dos muros da escola. Está presente na vida de muitas pessoas.

E, pensando nisso, queria parafrasear a consultora de moda Gloria Kalil e levantar um dos questionamentos que marcou meu ano de 2017: qual é o seu o acessório mais importante? Há quem diga que seja o cabelo, o relógio, um diário escolar, um pincel, um giz, o cérebro… infinitas possibilidades, mas não podemos nos esquecer do espelho

Todos nós precisamos ver nossa imagem projetada e o que estamos projetando no mundo. E a maioria das pessoas funciona como espelho para nós mesmos. Em alguns momentos da nossa vida, uma das coisas mais importantes a se fazer é ficar de frente a ele e olhar no fundo dos nossos olhos, lá pra dentro, em um processo sozinho, em que a gente se enxerga. A gente com a gente mesmo. Identificar nossos sentimentos, conviver com eles e aceita-los.

Para fecharmos o ano, nesta última sexta-feira, deixo aqui esse desafio: olhar para o espelho e enxergar o que há lá no fundo de sua alma. Isso tudo tem um propósito. Mas só revelo no ano que vem.

Até lá!

 

Imagem: Freepik

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